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26 de mai. de 2009

COISAS DE MIM ...

 

 

 

COISAS DE MIM

  

Numa tarde pela manhã,

em um dia que não existe.

O triste ficou alegre

e o alegre ficou triste.

Foi aquela confusão

tudo estava diferente,

os dentes não queriam mais morder.

A fome não queria comer,

de repente até o coração

quis parar de bater.

A realidade está mudando,

a terra girando ao contrário.

Será esse, um mundo imaginário?

Tudo certo mas na contra mão. . .

Será que ainda nos encontramos

tão dependentes da antiga realidade,

ou é nesse mundo que às vezes

nós buscamos a nossa felicidade?

A policia fugia,

o jornal se escrevia

de trás pra frente.

A água voltava,

o rio chorava,

tudo era diferente.

Até meus olhos

enxergavam fantasias irreais.

Ou será que era eu,

que durante muitos anos

fiz espelho dos meus pais,

antes de me encontrar.

Um chão mole de capim, que flutua,

o sol e a lua dançando

e eu aqui divagando,

lembrando apenas  de mim . . .

4 de mai. de 2007

MUNDO MEU





 

Sou de um país que tem a alma leve
Tenho a alegria dentro de mim
A maior riqueza que uma terra pode dar
Venho de longe, de um ponto perdido no mapa
Meus versos ecoam por todos os mundos
Transformo palavras em sentimentos
Falo todas as línguas, interpretando o amor
Sou uma criança cheia de sonhos
Passeio sem medo na escuridão das noites
Descanso meus pensamentos nas asas da imaginação
As portas se fecham, as portas se abrem
Não me importo, sempre encontro uma saída
As dores não duram mais que um segundo
O remédio que me cura é milagroso
Vivo sob a proteção dos céus
E de um coração puro que abriga uma sereia
Que me empresta a sua voz
Vim para ficar
Rasgo o seu livro cheio de regras
Suspendo todas as guerras
Em nome de um Deus que você esqueceu
Meus desejos se realizam apoiados na fé
A missão que eu tenho é maior do que eu
Sou apenas uma poetisa, neste pequeno mundo meu

(autoria desconhecida) 

 

30 de mar. de 2007

IMPROVISO - Madan - SUDDEN



Improviso


Composição: Madan e Haroldo de Campos - Tradução de Poema de Li Tai Po


Nuvens são cambraias
Pétalas
tuas faces
Brisa que farfalha
nas varandas altas
Cristaliza
orvalho
diamantes de água
Se não posso vê-la
nos píncaros de jade
Sob a lua ei-la
no pavilhão de jaspe


Um fina de semana maravilhoso pra vc.



Sudden   


Composition: Madan and Haroldo of Campos - Translation of Poem of Li Tai Pó 


Clouds are cambrics 
Petals 
your faces 
Breeze that rustles 
in the high balconies 
Crystallize 
dew 
diamonds of water 
If I cannot see her 
in the jade summits 
Under the moon here is her 
in the jasper pavilion  
 
A fine of wonderful week for vc. 


 

28 de fev. de 2007

A IDADE DE SER FELIZ ... THE AGE OF BEING HAPPY


Existe somente uma idade para a gente ser feliz,
somente uma época na vida de cada pessoa
em que é possível sonhar e fazer planos
e ter energia bastante para realizá-los
a despeito de todas as dificuldades e obstáculos.
Uma só idade para a gente se encantar com a vida
e viver apaixonadamente e desfrutar tudo
com toda intensidade
sem medo nem culpa de sentir prazer.
Fase dourada em que a gente pode criar e recriar a vida
à nossa própria imagem e semelhança
e vestir-se com todas as cores
e experimentar todos os sabores
e entregar-se a todos os amores sem preconceito nem pudor.
Tempo de entusiasmo e coragem
em que todo desafio é mais um convite à luta
que a gente enfrenta com toda disposição de tentar
algo NOVO, de NOVO e de NOVO,
e quantas vezes for preciso.
Essa idade tão fugaz na vida da gente chama-se PRESENTE
e tem a duração do instante que passa.

 

Mario Quintana

                                                                       


THE AGE OF BEING HAPPY 
 
Mário Quintana 
 
Only an age exists for us to be happy, 
only a time in each person's life 
in that it is possible to dream and to do plans 
and to have plenty energy to accomplish them 
in spite of all of the difficulties and obstacles. 
Only one age for us to be enchanted with the life 
and to live passionately and to enjoy everything 
with all intensity 
without fear nor it blames of feeling pleasure. 
Gold phase in that we can create and to recreate the life 
to our own image and similarity 
and to dress with all the colors 
and to try all of the flavors 
and to give the all of the loves without prejudice nor shame. 
Time of enthusiasm and courage 
in that every challenge is one more invitation to the fight 
that we face with all disposition of trying 
something NEW, again and again, 
and how many times it goes need. 
Such fleeting age in the life of us calls herself PRESENT 
and has the duration of the instant that passes. 



24 de fev. de 2007

MARIO QUINTANA POR MARIO QUINTANA

Texto escrito pelo poeta para a revista Isto É de 14/11/1984 .

Nasci em Alegrete, em 30 de julho de 1906. Creio que foi a principal coisa que me aconteceu. E agora pedem-me que fale sobre mim mesmo. Bem! eu sempre achei que toda confissão não transfigurada pela arte é indecente. Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão. Há ! mas o que querem são detalhes, cruezas, fofocas... Aí vai ! Estou com 78 anos, mas sem idade. Idades só há duas : ou se está vivo ou morto. Neste último caso é idade demais, pois foi-nos prometida a eternidade.

Nasci do rigor do inverno, temperatura : 1 grau; e ainda por cima prematuramente, o que me deixava meio complexado, pois achava que não estava pronto. Até que um dia descobri que alguém tão completo como Winston Churchill nascera prematuro – o mesmo tendo acontecido a Sir Isaac Newton ! Excusez du peu.


Prefiro citar a opinião dos outros sobre mim. Dizem que sou modesto. Pelo contrário, sou tão orgulhoso que nunca acho que escrevi algo à minha altura. Porque poesia é insatisfação, um anseio de auto-superação. Um poeta satisfeito não satisfaz. Dizem que sou tímido. Nada disso ! sou é caladão, instrospectivo. Não sei por que sujeitam os introvertidos a tratamentos. Só por não poderem ser chatos como os outros ?


Exatamente por execrar a chatice, a longuidão, é que eu adoro a síntese. Outro elemento da poesia é a busca da forma (não da fôrma), a dosagem das palavras. Talvez concorra para esse meu cuidado o fato de ter sido prático de fármacia durante 5 anos. Note-se que é o mesmo caso de Carlos Drummond de Andrade, de Alberto de Oliveira, de Erico Veríssimo – que bem sabem ( ou souberam) , o que é a luta amorosa com as palavras.


Mario Quintana